Será que ainda existe uma chance...


Enquanto nossas autoridades não reprimirem de modo exemplar, seguiremos assistindo atos racistas nos gramados brasileiros, como se fosse algo, assustadoramente normal.


Não podemos mais aceitar isso, chegou a hora de punirmos, até os pensamentos, pois só assim, quem sabe, possamos minimizar estes crimes, dentro dos gramados e nas arquibancadas.


Talvez para o Português Rafael Ramos, seja normal, natural, ofender um indivíduo devido a sua cor de pele, pois segundo a Presidente do Grupo de trabalho das Nações Unidas de Ascendência Africana, Dominique Day, os Portugueses sentem orgulho, pelo papel ocupado na criação da economia “moderna”, baseada no seu passado colonial. Traduzindo, ainda existe em Portugal, um racismo sistêmico, muito forte, comprovado por maus tratos nas prisões, espancamentos policiais, discriminação no comercio, no trabalho e no ambiente escolar para com os afrodescendentes. A cada ano que passa, o saldo de denúncias de discriminação étnico racial em Portugal, só aumenta, segundo reportagem realizada em dezembro de 2021 pela Folha de São Paulo...


Muito me surpreende, a direção do Corinthians aceitar e defender o seu lateral, quando no dia 27 de abril, solicitou que fossem tomadas todas as providencias, quando um torcedor do Boca, ofendeu sua torcida no estádio Corintiano, em Itaquera.


Pode-se utilizar a atitude do treinador Vitor Pereira, como prova, de que Rafael Ramos estava errado, pois se o treinador acreditasse em seu compatriota, não o teria tirado campo, mas isso é apenas uma suposição de minha parte.


Certo mesmo, foi a atitude do volante Colorado Edenilson, que informou a arbitragem do ocorrido e deixou bem claro, que não aceitaria tal comportamento. Corretíssimo também, sua ida a delegacia para prestar queixa, não por ser jogador de futebol, ou atleta do Inter, mas sim, por ser cidadão brasileiro, livre e igual a todos perante a nossa constituição...


O futebol é um esporte para ser curtido, admirado por todos, individualmente ou em família e independente do gênero ou etnia. Mas enquanto aceitarmos atos racistas, homo fóbicos e contra as mulheres, não haverá a “liberdade” para simplesmente assistirmos um jogo de futebol.


Segundo o Observatório Racial Brasileiro, a injuria racial, denunciada pelo camisa 8 Colorado, está longe de ser um ato isolado. Envolvendo clubes brasileiros, já chegamos a 32 casos, destes, quatro, foram fora do país, envolvendo torcedores estrangeiros, em jogos pela Libertadores da América e Sul-Americana.


Esse problema, vai muito além de diferenças étnicas, mas também envolve questões de gênero...


Quando perguntada sobre se era possível ser feminina em um esporte masculino (falando de futebol), minha colega de rádio, Bruna Marçal Cabrera respondeu assim, “Não deveria ter esporte masculino ou feminino, o esporte é uma necessidade do corpo humano, independente do gênero”... Uma resposta, clara, correta e que demonstra o quanto, dentro da pergunta, ainda somos uma sociedade machista...


Comprovadamente, temos que mudar nossas atitudes, para que possamos em um futuro próximo, viver em total harmonia... seria pedir demais, ou simplesmente uma utopia?  


Robert Abel

Imagem: Ricardo Duarte (S.C. Internacional)