A vitória do Internacional na distante cidade de Pereira, na Colômbia, teve os ingredientes característicos de um jogo de copa: disputas acirradas, pressão do time local tentando o resultado a todo custo e, claro,  um festival de bolas alçadas pra área. Melhor para Mano, para Alemão, para os colorados como um todo. 

Não costumo escrever sobre individualidades, mas hoje abro exceção. No dia do goleiro, Daniel foi pouco exigido ao longo da partida porque o sistema defensivo – bem postado no primeiro tempo por conta das linhas altas do time – funcionou bem. Algumas saídas equivocadas pelo alto (uma delas com grande perigo) e uma defesa importantíssima após desvio de Mercado, já no finalzinho de jogo. Bustos pouco acionado até 25 minutos do primeiro tempo. Fez algumas jogadas sem profundidade, pois é de sua essência o jogo curto por baixo, buscando tabelas, assim como seu antecessor Renzo Saravia. O problema é que no segundo tempo dava pra ouvir Hernández (camisa 16) pedindo bola por cima porque notou a dificuldade do lateral em razão da baixa estatura do argentino. Bustos sofreu para conter os avanços dos colombianos pelo seu lado. 

O grande barato de ver uma equipe buscando equilíbrio é quando você percebe o jogador se sacrificando e ajudando seu companheiro na hora ruim. O Inter também teve isso; por vezes, vimos vários jogadores atrás da linha da bola porque mais do que rendimento, a vitória era inegociável. Claro que se o time estivesse num outro momento, afirmado, consolidado, as dificuldades encontradas nesta partida seriam duramente criticadas. Reside aí a virtude da equipe que começa a se estruturar: manter-se nas cordas, mas em pé e com os punhos atentos.

Vitão, que sai por volta de 30 do segundo tempo e dá lugar a Mercado, teve atuação razoável – e aquilo que nenhum defensor gosta de ver contra si. Logo no início de jogo uma jogada “de mano", no um pra um, sendo superado em velocidade pelo atacante adversário. O zagueiro estava frio e teve, portanto,  uma disputa técnica logo na arrancada. Como um todo, no apanhado geral, esteve bem.

Bruno Mendéz foi muito exigido, especialmente pelo alto. Venceu quase todas as disputas de bola, por cima e por baixo. Renê teve atuação discreta, não comprometeu e foi pouco acionado na frente em razão da estratégia do time. Gabriel e Dourado chamaram atenção pisando na área do Independiente. O primeiro com finalização após bela jogada de Alemão e Edenílson; o segundo dando passe para sacramentar a vitória.

De Pena esteve abaixo; errou passes em demasia e parecia um tanto desatento para o que time precisava dele: retenção de bola e “cartear" no momento certo. Os destaques ficaram para Edenílson, que correu à exaustão, e Alexandre Alemão. Do tropeço bisonho aquele, sozinho, poucos lembram. Mais viva na memória colorada é fase artilheira do seu centroavante peleador.

De resto, retorna da Colômbia um grupo de jogadores revigorado pelo reencontro com as vitórias e com mais tranquilidade para dar sequência à ascensão técnica. Bom para a torcida colorada que cobrava combatividade, que cobrava uma equipe aguerrida – atributos que compensam eventuais defecções do elenco disponível. Bom para o Mano, bom para os seus brothers. Agora é pensar no Avaí com Moledo e cia. Ou seria Moledo, Alemão e mais nove? Só dia primeiro pra saber.


Rodrigo Rocha


Imagem: Google Images

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