Nas últimas rodadas do campeonato brasileiro temos visto uma série de erros de arbitragem, que vão dos mais crassos à inversão de arremesso lateral. Os homens do apito têm utilizado a tecnologia do VAR como bengala. Acontece que mesmo assim os erros se sucedem, um após outro. Nada de novo. A tecnologia nunca foi garantia de incorruptibilidade, de assertividade ou zero erro. É um instrumento para contribuir com a justiça do espetáculo, mesmo o futebol não sendo um esporte justo.

Interessante é que neste sentido, não temos notado o ingresso de outro ator na cena da bola. Veja que os caras que ficam na cabine também são os mais novos – e importantes – integrantes do ambiente futebol. Ou seja, nas mesas de bar, os árbitros de vídeo já rondam as discussões acaloradas entre os aficionados do esporte bretão. 

Tudo que envolve os lances mais proeminentes de uma partida do campeonato tem gerado um cansaço tremendo – ora pelos jogadores e comissões técnicas ora pelo espectador, da arquibancada e do sofá da sala. O VAR no Brasil atravessa um momento crítico, talvez o pior desde sua implementação. E isso reverbera na arbitragem de campo, pois o poder decisório ainda permanece sobre quem assopra o apito no campo.

A reta final de um campeonato funciona como uma eliminatória de cobranças alternadas de pênaltis: a incidência de erro aumenta sempre do meio para o fim; o fator mental pesa mais do que a técnica. Assim, erra menos quem tem fragmentos de gelo nas veias.

E além de todo esse cansaço do campo, da casamata, das arquibancadas e do sofá, quero trazer para a discussão o cansaço das locuções das partidas. Com a crescente ocupação de torcedores nas praças esportivas e a atmosfera de aparente normalidade – motivo de grande alegria para a população em geral –, os locutores já não chamam a atenção para a importância do contínuo uso da máscara – equipamento de proteção individual e coletiva – como faziam nos primeiros jogos de liberação. Temos visto jogos com estádio lotado em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro em que a TV flagra o torcedor com a máscara no queixo, pendurada pela orelha ou sem ela. Ou seja, milhões de espectadores têm recebido o “reforço” visual de que a pandemia já acabou.

É cansaço proposital ou a linha editorial da emissora que transmite os jogos orienta os narradores a não falarem mais sobre isso? Porque, convenhamos, isso contrasta com os números apresentados na hora do minuto de silêncio. É difícil crer que quando o Atlético-MG jogou contra América, Grêmio e Corínthians o distanciamento foi respeitado quando a bilheteria flagrou mais de 60 mil presentes. A cena se repetirá no confronto dos virtuais campeões diante do Juventude nesse fim de semana. E com a liberação de 100% de ocupação nos estádios do Rio Grande do Sul (menos para o Grêmio que recebeu punição), a tendência é que infelizmente a cena se repita por aqui. Claro que estamos todos cansados da pandemia. E não importa se a regra da cidade A difere da cidade B, pois a guerra ainda não acabou. Torcemos para que ela também esteja em sua reta final. Então, torcida colorada, mobilize-se. Máscara é para a proteção de todos, ao vivo e na TV.

Rodrigo Rocha


Imagem e reportagem sobre as máscaras no Site do Sport Club Internacional: https://internacional.com.br/noticias/juntos-vencemos-colorado-lanca-mascara-preventiva

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