Não poderia ser diferente. Reta final de campeonato e as calculadoras aparecem para trabalhar. Quantos pontos faltam? Qual o número mágico para escapar? Vai ter G-9? O Galo vai se manter até o final? Muitas perguntas e poucas respostas. Aliás, as respostas já estão em curso pelo avançar das rodadas. Um olhar minucioso e vê-se o destino de seu time logo ali.

No campo de jogo, dois aspectos têm me chamado a atenção. O primeiro tem a ver com a oscilação das atuações das equipes. Salvo o pelotão da frente, parece ser difícil que uma mesma equipe mantenha um desempenho ao menos parecido com o da partida anterior. Quem viu o Internacional ir para a trocação – para usar um termo comum em lutas de UFC – diante do Athletico, custa a acreditar no que viu na sequência diante do Cuiabá, no centro-oeste do país. O mesmo ocorreu, por exemplo, com o Bahia; um jogo de alto nível de entrega física e técnica na vitória sobre o São Paulo e um constrangedor babar de gravata na derrota para o Sport na Arena Pernambuco. E no meio disso, uma disputa ajustada com o Flamengo, de “peitaço" mesmo – partida marcada pelo pênalti a favor dos cariocas, que rende discussão até agora, e que fez cadeiras rodarem no serviço de arbitragem da CBF.

A impressão que dá é que na preleção das partidas há um discurso ressonante de escolher o jogo para jogar e o jogo para especular. Deve funcionar assim: o clube olha a tabela e determina quais partidas terá força, vigor e entrega de alma para pelejar. Esse é o jogo para jogar. No seguinte, muito pelo desgaste da paulada anterior, o time faz mais ou menos um esquema possível para entrar em campo sob a responsabilidade de minimamente parecer uma equipe de série A. Daí, se der para não perder e, talvez, achar um gol, melhor. Esse é o jogo para especular. Para ilustrar, seria como a vigília do porteiro que trabalha na modalidade 12 por 36: aparece num dia e some no outro.

Porque é tão abismal tal diferença que os times parecem estar destroçados pela exigência da temporada e pleiteiam férias já nesse início de segunda quinzena de mês. Via de regra, os times mantêm mais ou menos a escalação do jogo passado, mas as peças sucumbem pela extenuante necessidade de jogar a cada três dias. O nível cai (e vamos combinar, o nível já não é bom há uma década mais ou menos) e o produto vendido pela TV consiste num repertório vasto de lances bisonhos: chute sem força da entrada da área que o goleiro ajoelha-se para defender; escanteio cobrado na altura do joelho de quem espera o cruzamento pelo alto; perde-ganha-perde-recupera-divide-bola-sai... Tudo isso, além de deficiência técnica flagrante, é falta de perna também. 

Mas não adianta o mimimi. É jogar, jogar e jogar. Risca o último jogar e troca por secar. E jogar cansa tanto quanto secar.

Rodrigo Rocha

Imagem: Futblog do Casa

Deixe seu Comentário